A Carteira de Renda Variável

Na carteira de investimentos, como vimos, uma parcela significativa pode, ou deve, ser alocada em renda variável. Trata-se de ações de empresas de Sociedade Anônima, com negociação nas bolsas. Nesse caso, a negociação diária das ações permite que saibamos, a todos os momentos do pregão, quanto vale cada ação. O mesmo não acontece com títulos de renda fixa, porque eles têm um mercado privado, diferente dos mercados de bolsas, que são públicos. Ações são parcelas do capital da empresa, que remuneram os acionistas com dividendos e juros sobre capital próprio dão direito a voto (as ON) na proporção das ações que cada um possui. A remuneração média do acionista, em dividendos e juros sobre capital próprio, gira em torno de 4% a 6%, o que é bastante razoável, se levarmos em conta que uma parte importante dos lucros das empresas é retida para reinvestimentos em seus negócios. As ações do Ibovespa pagaram  R$ 134,3 bilhões em dividendos e JCP em 2023, R$ 164,8 bilhões em 2024 e R$ 176 bilhões em 2025. Se a remuneração do credor de títulos é paga na forma de juros, a remuneração dos acionista é paga na forma de dividendos e juros sobre capital próprio. É claro que podemos adicionar a essa remuneração, os ganhos de capital que o acionista tem no ato da venda das ações, caso ele venda a um valor superior ao da compra.

Segundo as pesquisas de economistas americanos, como Eugene Fama e Jeremy Siegel, os retornos das ações são superiores aos retornos dos títulos em quase todas as janelas de tempo, iniciando-se nos anos 1880 e vindo até os dias de hoje. A razão dessa “mágica” é que o detentor do título recebe uma remuneração definida no início da aplicação, correndo apenas o risco de crédito. Já o acionista, participa de todo risco empresarial da empresa: só receberá remuneração se a empresa der lucro e ficará a ver navios se ela der prejuízo. Se a empresa tiver sucesso, ele recebe participação nos lucros que ela terá ao longo dos ciclos de crescimento e amadurecimento. Mas nem todas as empresas vencem e a estrada para o sucesso não linear. Ao contrário, a escolha de empresas para ter na carteira de ações deve ser feita de forma objetiva e obedecendo às técnicas mais atualizadas, que sempre levam em conta a solidez e a dinâmica dos fundamentos, como crescimento das receitas, crescimento dos lucros, a situação do mercado e da economia, a concorrência, a disponibilidade de capital e o endividamento. Além disso, como coloquei no post anterior, montar uma carteira implica sempre em diversificação. Os riscos que cada empresa corre deve ser diversificado em relação às outras. Se uma for mal, por conta de algum evento em seu mercado, as outras podem compensar sua queda. Ademais, é importante acompanhar a saúde de sua carteira sempre, sobretudo para verificar se os resultados que as empresas estão entregando são compatíveis com as suas expectativas. Se algo vier muito diferente do planejado, você precisa fazer um rebalanceamento, reduzindo os pesos das ações que estão performando mal e aumentando os das que estão performando melhor. Mas essa gestão não deve ser exagerada, já que o horizonte de tempo para avaliação da carteira e de seus componentes é mais longo. O fundamental é escolher empresas que tenham bons fundamentos e que tenham uma perspectiva positiva para o futuro.

Mais uma vez, é importante entender qual é seu perfil de risco, seu horizonte temporal para o investimento e suas expectativas em relação aos resultados. Dessa compreensão é que você vai estabelecer de forma adequada quais serão os pesos de cada classe de ativo (renda ou renda variável) e, dentro delas, qual a alocação ideal. Não há milagres quando se trata de investimentos, mas há muitos erros a serem evitados.

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